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domingo, 4 de janeiro de 2015

depois de ler A paixão segundo G.H.

depois de ler o grande livro da Clarice Lispector, escrevi isto
marian pessah

         Confesso. Passei 46 anos sem ter lido um dos melhores livros da vida. A paixão segundo G.H. é uma genialidade tal que tira o sono. Nele, no próprio nome está “oculta” a sua essência.

        Essência essa que levei anos a me aproximar e lê-la. Tentei umas duas vezes e, na terceira, puro vencimento, pura paixão. A barata mudou a minha vida. Ela, suas frases curtas e entrecortadas. Sua genialidade toda. Amo-a. Eu comecei a ler, mas eu gosto de ir devagar. Amor tântrico? Felicidade clandestina? Ela que era a minha amante. Clarice escondida entre suas letras que formavam palavras que uniam ideias que revelavam paixões que anunciavam destinos.  Eu queria, precisava, saber que ela estava ai, perto. Que não acabava. Fazer de conta que não estava, e de pronto, a lia, a via, a escutava. A desfrutava. Esperei uns dez dias para ler os últimos dois capítulos. Queria, precisava, saber que ela estava ai, ainda, cheia de mistérios, de paixões para me revelar. Que eu ainda tinha com quem me rebelar, revoltar, gritar e até, resignificar as palavras amor e paixão. Procura do mistério.

       Mistério. Ela mudou sim coisas em mim. Dias atrás, eu estava sentada no vaso quando uma barata caminhava pela porta. Em outro momento, teria sentido um semi-pánico correndo pelas minhas veias. E não. E não fiz nada. Simplesmente me limitei a sentir a presencia da C.L., ou da G.H.? Algo kafkiano? Pode até ser. Mas eu fiquei fazendo xixi como se nada acontecesse. Não! Como se nada não. A CL estava junto no banheiro. Ela caminhava pela parede. Eu sei por que a observava. Ela caminhava e de pronto, parou para me olhar. Meu xixi acabou. Faço o quê?

        O quê era o ponto em questão. Será que era o Gregor quem desejara entrar ao banheiro e eu estava atrapalhando-o? O ponto é que a CL conseguiu extirpar de mim aquele desconforto absurdo que outrora eu teria tido. E já não em sentir, nem sinto, saudades. Eu queria mais é conversar com a barata. Uma vez a minha mãe me contou que estava sozinha na casa e se encontrou com uma aranha. Enorme. Ela falou assim: “Prezada aranha, eu não te farei nada e tu não me farás nada, pode ser?”. E assim a Dona Alicia se acalmou.

        Acalmou a situação e eu, simplesmente, fiquei a olhar a barata. Porém, quando sai, vi uma outra voando. Aí foi que pensei na liberdade, nas asas. Os espaços, os espasmos, a vida, as vidas, o mundo o ser. O inerente do ser ao estar. Consentir.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Tomaram a casa



Conto baseado no conto de Julio Cortazar: Casa tomada. 


texto e foto: marian pessah

Um casal de irmãos estava passando por um momento tenso. A recente perda da mãe, num acidente, tinha sido um fato traumático. Somava-se à inesperada dor, o fato que ela tinha deixado muitas dívidas, das quais ninguém tinha conhecimento, e perigavam perder a casa na qual morava a família há anos.

Na quarta-feira, à tarde, Irene e o seu irmão decidiram sair a caminhar e respirar um pouco de oxigênio. Iam pela Avenida Santa Fé, quando por alguma razão, decidiram entrar na Rua Rodriguez Peña. Naquela época, não havia ainda tantas construções e o sol aparecia mais facilmente entre as casas. Contudo, a amargura os deixava com um olhar triste, quase chegando ao chão. Ele amava a literatura francesa, mas também gostava de chutar pedrinhas na rua. E isso fazia. Aconteceu que uma foi bater direto num ralo e fez um barulho particular que chamou a atenção de ambos. Havia, nessa direção, uma chave fazendo equilíbrio entre dois ferrinhos. Olharam-se e sentiram a presença de Bará. Irene, sem duvidar a pegou. E se fosse de uma casa? E se alguém a perdeu? E se.... Minutos mais tarde, a ação se impunha por sobre as perguntas. Os irmãos testaram as fechaduras das casas daquela rua. Até que uma deu certo.

Ao abrir a porta, de forma vagarosa, sentiram uma presença estranha. Ouviu-se rapidamente um movimento interno. Decidiram continuar. Chamou a atenção a sujeira, o pó; contudo, a casa tinha aquela ambiguidade de se estaria sendo habitada por alguém. Decidiram percorrê-la. Era grande e espaçosa. Na entrada descobriram um tricô em andamento e um álbum de selos. Irene era apaixonada por tecer e pegou as agulhas que estavam fincadas num novelo, mas uma delas escorregou no chão. Imediatamente depois desse barulho, ouviram outro. Uma porta, nos fundos, fechava-se. Eles caminharam pelo corredor, viram dois quartos, a cozinha e o banheiro; entretanto, ainda não se animavam a abrir as portas fechadas. Um ar estranho, a déjà vu, os surpreendeu como uma fragrância em primavera. Era um cheiro de almas conhecidas. Essa era a primeira sensação positiva que ambos sentiam em tempos. O lugar os convidava a ficar. Novamente na sala, Irene descobriu, agora, um cachecol feito em um tecido cinza e ficou olhando para o ponto dele. O amante das letras optou por folhar o álbum. Assim ficaram horas, sem perceber o tempo passar. Quando a noite chegou, foram aos dormitórios. Cada um entrou no seu. Ela não tinha acabado de fechar a porta quando ouviu o irmão gritando. Imensa surpresa ao deparar-se com quinze mil pesos escondidos no armário! A vida era um círculo de emoções.

Na manhã seguinte, ao levantar, foram fazer umas compras. Encheram dois cestos; um de comida, outro, de produtos de limpeza. A partir desse momento, tirar a poeira viraria uma obsessão para os novos habitantes da casa. Cozinhavam, limpavam, davam risadas. Estavam muito bem e pouco a pouco começaram a não pensar. Pode-se viver sem pensar.

Todavia, de noite, Irene pronunciava palavras enquanto dormia, em voz muito alta; e o irmão, tinha sonhos que consistiam em grandes sacudidas que às vezes faziam cair o cobertor ao chão. Os seus quartos estavam separados por um salão no meio. À noite, ouviam-se outros barulhos. Decidiram que já era hora de abrir a porta dos fundos.

De manhã, cedo, prepararam o café e fizeram muito barulho, falaram forte e até Irene cantou canções de ninar. Era um aviso.

Quando terminaram de comer, lavaram a louça e deixaram tudo pronto, como quem se prepara para uma grande cerimônia. Foi nesse momento que decidiram tomar a grão decisão: abrir a porta dos fundos. Fizeram-no intempestivamente. Ouviram-se uns barulhos. O som de passos curtos e riscados afastava-se do lugar.  A casa aumentava de tamanho em enormes proporções. Agora, somavam-se três quartos grandes, e o principal, uma biblioteca! O amante das letras não cabia em si de tanta alegria, e ainda nem havia visto a vasta literatura francesa que o antigo morador possuía. Por outra parte; a irmã, achava numa gaveta da cômoda xales brancos, verdes, lilases. Evidentemente, nessa casa, haviam vivido suas almas gêmeas. Agora, a casa era tão grande que poderiam morar nela, oito pessoas sem se estorvarem umas às outras.

 Além de ser espaçosa, guardava lembranças de outrora. De um passado; como de um futuro, ainda por descobrir.

Última imagem. Ao abrir a porta de um dos quartos, como uma fotografia, um rato roia um chapéu militar. Justiça estava sendo feita.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Quantos beijos?

marian pessah*

foto : Alexandre Ferreira da Silva

primeiramente em língua brasileira, embaixo, em língua argentina

          Não nasci para um mundo de muros; que afastem, separem, encerrem. Mas também ficar encima deles, não é solução.

          Ando triste, faz dias que esse sentimento me visita. O conflito árabe-palestino / israelí me dói muito. Sou uma pessoa politizada, desde os meus 15 anos – tenho 46 – já ia às ruas me manifestar, fotografar, participar. Como sou fotógrafa, não tenho tanta experiência em levar cartazes, pois as duas coisas juntas, complicam-se. Contudo, decidi que a situação estava tensa demais para eu não sair com um cartaz na Vigília em Solidariedade  com a Palestina. Participei com uma camiseta que ganhei das minhas amigas de Mujeres de Negro, é uma organização internacional de Mulheres pela Paz que pede pelo fim da ocupação dos territórios. E com um cartaz que dizia: “Sou judia e sou contra todo tipo de genocídio”. Eu podia imaginar que as minhas palavras cairiam bem a algumas pessoas e mal a outras. Todavia, o que NUNCA imaginei foi o carinho recebido dxs palestinxs. Gente que nunca tinha me visto, ao ver o meu cartaz, me abraçava, se emocionava, chamava a outras pessoas para mostrar como sim, tinha pelo menos uma judia que os entendia. Esses abraços que trocamos, esses olhares tão profundos me fizeram voltar a acreditar no amor à humanidade; na força que há no se olhar olho no olho. O reconhecimento em outra pessoa, ante tanta confusão, dá existência a nossa luta.  

         A matéria/ação deu o que falar. Como saí em fotos no Correio do Povo, no Sul 21 e, posteriormente, na Carta Maior, muitas pessoas me reconheceram e me marcavam no Facebook. Chegaram-me tanto parabéns, quanto palavras “menos bonitas”. Nestas, me tratavam de ignorante, de pseudo-judia, de que seria muito necessária num teto de Gaza e um longo etc. Sou judia; porém, não porto credencial. Embora o meu belo sobrenome fale muito. Pessah é a festa de libertação, quando o povo judeu se liberta da escravidão do povo egípcio. Coisa mais linda, né? Ser presenteada com liberdade no meu próprio nome. E por que eu iria desejar ela só para mim? Por que não desejá-la para toda a humanidade? Pensar assim, me converte em ignorante? Vivi no Estado de Israel do 90 ao 93, com “direito” à guerra do Golfo, usar máscara, correr aos refúgios e saber como é conflitivo viver nessa região. Então, pensar diferente, ter outra posição política, me converte em ignorante, ou será que a/s outra/s pessoa/s é/são um pouco simplificadora/s da realidade que não quer/em ver.

        Em Israel reconhecem que o povo palestino estava desde antes que o Estado se fundasse em 1948. Mas também dizem que como é uma zona árabe, xs palestinxs bem podem ir a outras regiões, pois o Estado de Israel só tem esse espaço para acolher xs judixs. Gostaria de ilustrar uma situação. Nós estamos no Brasil, vamos imaginar que amanhã acontece alguma coisa e os povos indígenas guarani-kaiowa chegaram com novas armas e expulsassem a todxs xs habitantes sul-rio-grandenses do estado. Como assim? E a minha casa, os meus pertences? O meu cotidiano? Tudo deve mudar. A resposta seria que como o Brasil é muito grande, a gente teria muitos outros estados aos quais ir. Como é lógico, muitxs não vão querer sair das suas terras e abandoná-lo todo. Ficarão tentando resistir. A partir desse momento, esses “rebeldes”, serão chamados de terroristas.

        No jornal Zero Hora do 24 de julho, Fátima Ali, Secretária da Federação Árabe Palestina (Fepal), escreve um artigo no que conta ser filha de um refugiado palestino. Tive o prazer de conhecê-la na Vigília, aí, me apresentou o seu pai. Conto isto porque hoje Fátima não é só mais um nome para mim; Fátima tem um belo rosto, conheço os seus profundos olhos negros, e o seu abraço, está – ainda – entre os meus braços. Minha nova amiga escreve: “Sou filha de um refugiado palestino, que ostenta na sua identidade a marca ‘sem nacionalidade’”.

     Essas coisas me deixam triste. Sou utópica sim, o olhar das pessoas que abracei, e pelas que fui abraçada, dizem-me que estou no caminho certo. Quero acreditar que outro mundo é possível. Quero voltar a ver o convívio entre judexs e palestinxs como quando em Buenos Aires – minha terra natal -, eu era adolescente, e o meu pai foi admitido no Clube Sírio-Libanês. Se esse ódio que respinga ao mundo todo foi construído, bem podemos desconstruí-lo.

        Quem atira o primeiro beijo?


¿Cuántos besos?


       No nací para un mundo de muros; que alejen, separen, encierren. Pero tampoco para quedarme encima, observando la vida pasar.

       Ando triste, hace días que este sentimiento me visita. El conflicto árabe-palestino / israelí me duele mucho. Soy una persona politizada, a los 15 años – tengo 46 – empecé a salir a las calles a  manifestarme, a fotografiar, a participar. Como soy fotógrafa, no tengo tanta experiencia en llevar carteles, las dos cosas al mismo tiempo, se complican. Pero esta vez, la situación estaba tan tensa, que me decidí a participar con un cartel en  la Vigilia en Solidaridad  con Palestina. Usé una camiseta que me regalaron mis amigas de Mujeres de Negro, una organización internacional de Mujeres por la Paz que pide el fin de la ocupación de los territorios. Y con un cartel que decía: “Soy judía y soy contra todo tipo de genocidio”. Yo  podía imaginarme que mis palabras caerían bien a algunas personas y mal a otras. Así y todo, NUNCA imaginé el cariño que recibiría de lxs palestinxs. Gente que nunca había visto en mi vida, al leer mi cartel, me abrazaba, se emocionaba y, algunxs, hasta iban a llamar a otras personas para que vieran como sí, existe por lo menos una judía que lxs entendía. Esos abrazos que intercambiamos, esas miradas tan profundas me hicieron volver a creer en el amor a la humanidad; en la fuerza que hay en mirarse a los ojos. Porque la necesidad de reconocerse en la otra persona, ante tanta confusión, da existencia a nuestra lucha.

        La nota/acción dio para mucho. Como salí en las fotos de dos diarios y posteriormente en la revista Carta Maior, muchas personas me reconocían y me marcaban en su Facebook. Me llegaron tantas felicitaciones cuanto palabras “menos bonitas”. Ahí me trataban de ignorante, de pseudo-judía, de que sería muy  necesaria en un techo de Gaza y un largo etc. Soy judía; no obstante, no llevo credencial. Si bien que mi apellido ya lo dice todo. Pessah es la fiesta de libertación, cuando el pueblo judío se liberta de la esclavitud del pueblo egipcio. ¡Qué lindo! Llevar a la propia libertad en mi nombre. ¿Y por qué yo tendría que desearla sólo para mí? ¿Por qué no quererla para toda la humanidad? ¿Pensar así me convierte en ignorante? Viví en el Estado de Israel del 90 al 93, con “derecho” a la guerra del Golfo, usar máscara, correr a los refugios y saber, bien de cerca, cómo es conflictivo vivir en esa región. Entonces, pensar diferente, tener otra posición política, me convierte en ignorante, o será que la/s otra/s persona/s es/son un poco simplificadora/s de la realidad que no quiere/n ver.

       En Israel reconocen que lxs palestinxs estaban desde antes que el Estado se fundase en 1948. Pero dicen que como es una zona árabe, ellxs podrían ir a otras regiones, porque el Estado de Israel sólo tiene ese espacio para albergar a lxs judixs. Me gustaría ilustrar esta situação. Aquí estamos en Brasil, vamos a imaginar que mañana sucede alguna cosa y los pueblos indígenas guarani-kaiowa llegan con nuevas armas poderosas y expulsan a todxs lxs habitantes de Rio Grande do Sul del estado. ¿Cómo? ¿Y mi casa, mis cosas? ¿Mi cotidiano? Todo debe cambiar. La respuesta sería que como Brasil es muy grande, nosotrxs tendíamos muchos otros estados a los cuales ir. Como es lógico, muchxs no van a querer salir y abandonarlo todo. Se quedarán intentando resistir. A partir de ese momento, esos “rebeldes”, pasarán a ser llamados terroristas.
   
      En el diario Zero Hora del 24 de julio, Fátima Ali, Secretaria de la Federación Árabe Palestina (Fepal), escribe un artículo donde cuenta que es hija de un refugiado palestino. Tuve La oportunidad de conocerla durante la Vigilia, allí me presentó a su padre. Cuento esto porque hoy Fátima no es sólo un nombre para mí; Fátima tiene un bello rostro, conozco sus profundos ojos negros, y su abrazo, está – todavía – entre mis brazos. Mi nueva amiga dice: “Soy hija de un refugiado palestino, que ostenta en su identidad la marca ‘sin nacionalidad’”.  

      Estas cosas me dejan triste. Soy utópica ¿y qué? La mirada de las personas que abracé, y por las que fui abrazada, me dicen  que estoy en el camino cierto. Quiero creer que otro mundo es posible. Deseo volver a la convivencia entre judíxs y palestinxs como cuando en Buenos Aires – mi tierra natal -, yo era adolescente, y mi padre fue admitido en el Club Sirio-Libanés. Si ese odio, que salpica al mundo entero, fue construido, bien podemos desconstruirlo.

     ¿Quién tira el primer beso?

* Artivista. Extranjera en el mundo – prófuga de la normalidad – artista polítiika de la oktava dimensión. Físicamente en Porto Alegre, sur de Brasil, polítikamente en América Latina. Pertenece al grupo Mulheres Rebeldes y actualmente estudiante de letras.  marianpessah@gmail.com



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pasajera en tránsito


por marian pessah

Voy a empezar hablando de mí. No por ego, sino porque creo que este es un tema desde el cual una piensa y se piensa desde dentro.
Durante 10 años mantuve una relación abierta con mi compañera Clarisse. Recientemente tomamos la decisión – nada fácil – de separarnos. El objetivo es diferenciar nuestro amor profundo del lado pareja, y seguimos viviendo juntas. Como nunca tuvimos una relación convencional, era esperable que la separación tampoco lo fuera.
Por un tiempito, yo estuve relacionándome con una chica “normativa”, pero ella no consiguió entender que siguiéramos viviendo bajo el mismo techo con Clarisse y le quemaba la cabeza. A veces, a pesar de ser muy conscientes, nos enamoramos de personas nada que ver. Y eso me pasó a mí. La voz de ella empezó a ser como un zumbido social en mis oídos. Los policías y cuidadores del sistema se manifestaban a través suyo. Cuánta gente hay que se “enamora” de nuestras alas y llegan a la 2ª cita con sus manos de tijeras, pretendiendo cambiarlo todo. Y una, abobada, va dejando pasar cosas. Hay personas que desean ser diferentes, pero su necesidad de entrar en las normas es tan fuerte, que acaban convirtiéndose en infiltradas. Una frase que aparece en Facebook, de Simone de Beauvoir, lo ilustra perfecto:”El opresor no sería tan fuerte si no tuviese cómplices entre lxs propixs oprimidxs”.
Quiero entender lo que nos sucede a las mujeres con el amor, porque fuimos educadas para eso, para amar, porque si no, somos unas mal amadas, como dice uno de los tantos insultos con los que nos propina la sociedad normativa. Voy a intentar, en este poco espacio, ver cómo funciona por dentro, así podemos desarmarlo mejor.

El proceso de la mala educación

La hétero-sociedad  capitalista y monogámica inventa el amor romántico y asusta con el  miedo, a las mujeres, de quedarse solas – entre otras cuantas formas de control - y nos lo va inculcando a través de músicas, lenguajes, literatura, cuentos de hadas, películas, etc. Veamos algunos ejemplos: la canción “Minha namorada” compuesta por Vinicius de Moraes y Carlos Lyra, en la cual el  hombre le dice a la mujer que para ser su novia tiene que hacer un juramento, el de tener un único pensamiento, el de ser suya hasta morir. ¡SUYA! ¡Observen el nivel de propiedad privada emocional! En una frase ya tenemos el casa-miento perfecto de la heterosexualidad y la monogamia. Continúa pidiéndole que no pierda esa forma de hablar despacito y hacerle mucho cariño y llorar mansamente sin que nadie sepa por qué. O sea, mujer tiene que ser “femenina” - lo que implica sensible entre otras “cualidades” - y obedecer las necesidades de su propietario. Si esto es dicho por un poeta contemporáneo, cosmopolita  y de izquierda, ¿qué nos espera del enemigo? Ahora observen la internacionalidad del lenguaje patriarcal. En hebreo, la palabra marido también significa dueño. Así como en español, esposa tiene dos acepciones, la de mujer de y las que usa la policía para prender a los maleantes. Entiéndase por ello que unos custodios del sistema prenden a los malhechores, y otros, bajo el régimen héteropatriarcal, desean cas(z)ar a las mujeres. Muy metafórico ese juego de palabras que aprisionan.
Podríamos continuar hablando de los cuentos de hadas, ¡hay tantos! ¿Por dónde empezar? Por decir que a tan temprana edad ya nos meten en la cabeza que por ser mujeres somos diferentes, que vamos a tener que volver temprano porque a media noche  toda la fantasía se desarma, o sea, la vida es un teatro. Se pierde un zapato, cuando no se transforma un zapallo, y hay que esperar, pasivamente, que venga el susodicho, puerta por puerta, a ver quién es la merecedora del príncipe. Léase aquí: ¡Mujeres! ¡Compitan por un macho! Y va a ganar la que tenga el pie más chiquito ¡¿Pie?! Miremos la sumisión ahí implícita. Sabemos que cuanto menor es nuestra base, menor será el equilibrio, la mujer se puede caer, ergo, no dispone de autonomía. Como dice Vinicius: ser sólo suyo hasta morir. Tendremos un dueño y protector, ese es el premio.
Continuando con la literatura, podemos visitar a nuestro vecino Pablo Neruda: “Me gusta cuando callas porque estás como ausente / distante y dolorosa como si hubieras muerto”. Maravilla de poema, ¿no? Me deja… muda, sin palabras. Todo lo que el poeta quería, ¿no?
Volviendo a la vida cotidiana, esta mala educación, produce un cheap en muchas de nuestras madres que dice: “Ay nena, con ese carácter – léase rebeldía - nadie te va a querer”, entiéndase, te vas a quedar sola. Y después de ver todo lo que nos puede pasar si alguien no nos quiere, acaban mutilando la rebeldía de muchas mujeres y cambiándola por manos de tijeras. Así, en lugar de tener una desorganizadora, el sistema gana una cómplice. Mi madre me decía siempre que mi problema, era que yo pensaba mucho y eso que ella no era el prototipo de la sumisión.
¿Queda claro – siguiendo las enseñanzas wittignianas - por qué no me identifico como mujer y sí como lesbiana? ¡Con L de LIBERTAD!

Cómo nombrarnos
Cuando recibí la convocatoria de la Celebración de las Amantes, en la primera lectura rápida, en lugar de leer Anarquía relacional, leí anarquía amorosa y  me quedé con esa idea. Me gustó porque no incluye la palabra amor (por esa razón le escapo al término poliamor, siento que de alguna manera volvemos a caer en sus redes, así como ya no me identifica el término amor libre), hablar de amorosidad en las relaciones, más allá de con nuestra compañera sexo-afectiva, es un término más amplio, más comunitario, más de vida. Me da la sensación de que abarcara el todo.  También es positivo, cosa que la Ruptura de la Monogamia Obligatoria – RMO, como yo llamaba a esta lucha, rompe pero no propone. Es necesario, para un primer paso, poder detectar lo que no queremos para poder buscar lo que deseamos y ahí, viene la anarkía amorosa y nos abraza.
Esta búsqueda de rever cómo relacionarnos, tanto afectivamente, como sexualmente, representa la lucha más radikal que puede enfrentarse a este sistema patriarcal capitalista. Porque nos atraviesa el cuerpo, entra en nuestros sentimientos y se refleja en nuestras acciones llevando a la práctica el mayor lema feminista: lo personal es político.

Barajar y dar de nuevo
¿Se puede, ideológicamente, estar del lado del sistema, trabajar a consciencia para engordar el capital, e intentar al mismo tiempo destruirlo amorosamente? Si viviéramos en una comunidad sin propiedad privada en su fuerza de producción, ¿tendríamos los mismos problemas?
Siguiendo el principio de lo que esta mujer normativa pretendía de mí, era que yo saliera de mi casa y me fuera a vivir sola. Entonces, a ver si entendí bien, yo debería trabajar más horas para el sistema capitalista, para pagar un alquiler y más impuestos para así poder destruirlo mejor. ¿Es eso? ¿O será que el sistema, a través de una chica linda, pretendía fagocitarme? ¿No suena incoherente? ¡Cuidado! El enemigo trata de meterse dentro nuestro todo el tiempo, a veces lo consigue, otras, no tan fácilmente. En ciertos casos, algunas “infiltradas” pueden vestir cuerpos “rebeldes” llenos de tatuajes y pearcings, recordemos que ellos no representan una ideología en sí, al contrario, muchas veces puede caerse en la rebeldía controlada por el sistema capitalista, quien exige consumo   a cambio de una aparente desobediencia, al mismo tiempo que mira mal a quien no se depila pues, entre otras cosas, su revuelta no aporta al capital, a la industria de la depilación, peluquerías, Salones de “belleza”, etc. Al contrario, deja de consumir precisando trabajar menos para el sistema tendiendo más tiempo LIBRE para pensar, leer y aKtivar.
Retomando. Las trampas para mantenernos controladas y calladitas son muchas. En lugar de vivir sola y seguir caminando hacia la individualidad, ¿por qué no pensar colectivamente? ¿Por qué a alguien que amé/o tanto, a partir de cerrar una relación amorosa la tengo que empezar a odiar, me tengo que pelear? Nuevamente la competencia, el sistema divide para reinar. Yo prefiero sumar que restar. Por suerte hay muchas referencias de mujeres que terminaron sus relaciones afectivo-sexuales y continúan viviendo juntas. Es necesario hablar de esto, vernos, darnos existencia para cuando el opresor nos grite en la cara que eso no es normal, una se sienta fortalecida y diga, ¿y a mí qué con tu normalidad? Por eso, agradezco estos espacios que tanto nos fortalecen, donde nos podemos mirar a los ojos, reconocernos, escuchar nuestras voces, conocer nuevas his/herstorias, sentirnos.
Creo muy importante volver a un punto que me parece crucial, el de la ética feminista y los cuidados entre nosotras. Observarnos. Por eso hablaba antes de la amorosidad que nada tiene que ver con el amor romántico. Recordemos que fuimos criadas en una sociedad heterosexual, monogámica, capitalista que frente a nuestras rebeldías hará de todo para que nos cansemos y nos asimilemos a la manada. En nuestros espacios, en nuestras comunidades es importante tener claro que lo que queremos es romper, desarmar el sistema sin rompernos a nosotras mismas. En esta aventura maravillosa de las anarkías amorosas habrá tantas respuestas y propuestas como personas en el baile. Y recordemos que, aún entre las mismas actoras el tipo de música puede cambiar y así, tendremos que rever nuestros pasos y ritmos. Para ello, es importante estar comunicadas, expresadas; generar nuestros propios códigos. No hay fórmulas ni recetas; no hay modelos, aunque cada vez estemos creando más referencias.

Por todo esto me considero una pasajera en tránsito. Creo que la vida es una Gran Escuela a la que venimos a aprender, a errar, reaprender y poner los conocimientos en práctica. Nada es definitivo, por eso me siento en búsqueda permanente, en continuo movimiento, aunque no implique un constante equilibrio.


Porto Alegre, 30 de abril del 14

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Adèle, uma história sem rumo


por marian pessah



primero en lengua brasilera, más adelante en argentina

Finito o vestibulare, fui assistir o polémico film do verão: A vie d’Adèle, no seu título original, e aqui no Brasil, Azul, é a cor mais quente. Sinceramente? Parece que o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, acabava de ver o kamasutra lésbico – dizem que também é feito por homens – e se decidiu a filmá-lo a partir da HQ “Azul” da jovem Julie Maroh. Mas, se é isso o que ele queria, são desnecessárias as 3 longuíssimas horas, fazendo o filme perder o foco de tudo. De que era mesmo que ele queria falar?

Várias amigas vinham comentando este filme do qual recebi notas escritas, e, até, perguntas de que achava eu ao respeito. Acho que só por isso fui a vê-lo, sinceramente, não me interessam as más traduções, nem interpretações hetero-machistas de uma escritora declarada lésbica e feminista.  

O filme começa bem, até. A Adèle é adolescente, ainda está na escola, e aparece numa aula de literatura. O professor, a partir de uma leitura pergunta axs alunxs se conhecem aquele sentimento; a sensação de que alguma coisa estivesse faltando. Isso acontecerá com a protagonista frente à pressão (das patrulhas hétero-sociais) das amigas do colégio, ter que sair com um menino bonitinho que não tira os olhos dela. Uma Adèle muito pouco convencida sai com ele, ficando nítida a pouca atenção que o bonitinho dava aos sentimentos dela. Mais uma vez, o que importa é como os homens se sentem, e não as mulheres. Essa sensação de falta de completude vai contrastar de maneira estridente ao conhecer Emma, a menina dos cabelos azuis.  Ai estarão os “cinco minutos” de paixão de que fala tudo mundo. O filme tem altos e baixos. Quando elas estão ainda se conhecendo há um clima de tensão instalado (interessante), sabendo que ambas se desejam; contudo, ainda não houve aproximação física. Porém, a partir do primeiro beijo, a câmera rompe todo ritmo típico de cinema francês e tem uma crise de cinema estadunidense. Aparecem as duas nuas em um ambiente que não sabemos onde é e sem nenhum tipo de preliminar. Esse será um dos três “grandes” momentos eróticos do filme. Desses que muitas pessoas estão debatendo sobre a classificação. Eu não acho que sejam imagens pornô. Simplesmente, são fantasias de um homem heterossexual, brincando de kamasutra; ou bem, imaginando o que duas meninas apaixonadas fazem na cama, e fora dela.

Em seguida vem as apresentações às famílias, deixando nítido que a Emma tem muito bem resolvida a sua sexualidade e na casa não há problema nenhum. Enquanto a Adèle aparece um pouco como quem “disso” não se fala. Porém, o padece. No começo com as mesmas patrulhas da escola, uma vez que a Emma foi esperá-la à saída, lhe disseram que andava em companhia de machorras e que agora tinha se transformado numa lambe-bucetas. Também, com as escusas que dava, mais tarde, ao seu colega de trabalho quando a convidava, reiteradas vezes, a sair depois da jornada.

Na versão livre do patriarca tunisiano, elas moram junto e reproduzem todos os papéis do mais convencional casal heterossexual e monogâmico. Ela, Adèle, é uma perfeita ama de casa; “ele”, Emma, lê na cama até que ela acaba de lavar a louça. “Ele” pode paquerar outras mulheres, mas quando ela é descoberta, acabará sendo chamada de puta (quanta originalidade!), e sendo expulsa da casa. Os dez mandamentos do patriarcado estão, sem exceção, no filme.  Adèle ficará arrasada. Por muito tempo, a veremos com suas constantes lágrimas, que por vezes, se misturam com o vinho branco que ela bebe, gerando uma peculiar meleca que nos deixa tristes. Já não saberemos se por estragar o vinho francês, por que o filme se alonga sem piedade, ou... ah, é, porque a nossa protagonista está triste, pois o tunisiano coloca a bela dama no lugar de quem ainda acredita seja no príncipe, seja na princesa azul. Mas, Emma pintou os cabelos de outra cor. A princesa azul se foi pela cloaca. Só restaram desventuras e tempo e mais tempo para dizer o mesmo, ou seja, que aquele vazio não é existencial é, simplesmente, que está faltando uma tesoura, umx editorx no filme, um roteiro!! E também, um pouco de respeito da leitura original que a escritora Julie Maroh, a quem ele não responde correios desde 2011,tinha feito.


Adèle, una historia sin rumbo

x marian pessah
agora em língua argentina

Finito el vestibulare, fui ver el polémico film del verano: A vie d’Adèle, en su título original, y aquí en Brasil, Azul, é a cor mais quente. ¿Sinceramente? Parece que el director franco-tunisino Abdellatif Kechiche, acababa de ver el kamasutra lésbico – que dicen que también está hecho por hombres – y se decidió a filmarlo a partir de la historieta “Azul” de la joven Julie Maroh. Pero para ello son desnecesarias las 3 larguísimas horas, haciéndole a la película perder el foco de todo. ¿Cuál fue el objetivo del Sr. Kechiche?

Varias amigas venían comentando este film del cual recibí notas, e, inclusive, preguntas de qué pensaba al respecto. Creo que sólo por eso fui a verlo, sinceramente, no me interesan las malas traducciones ni interpretaciones hétero-machistas de una escritora declarada lesbiana y feminista. 

La peli hasta que comienza bien. Adèle es una adolescente, todavía está en la escuela, y aparece en una clase de literatura. El profesor, a partir de una lectura pregunta a lxs alumnxs si conocen ese sentimiento; la sensación de que alguna cosa estuviera faltando. Eso sucederá con la protagonista frente a la presión (de los controles hétero-sociales) de las amigas del colegio, tener que salir con un chico lindo que no le sacaba los ojos de encima. Una Adèle muy poco convencida se dispone a asumir lo que sus amigas esperaban de ella, quedando nítida la poca atención que el galán daba a sus sentimientos de poco interés. Una vez más, lo que importa es cómo los hombres se sienten, y no las mujeres. Esa sensación de falta de completud va a contrastar de manera gritante al conocer a Emma, la muchacha de cabellos azules.  Ahí estarán los “cinco minutos” de pasión de los cuales habla todo el mundo. La película tiene sus altos y bajos. Cuando ellas están aún conociéndose hay un clima de tensión instalado (interesante), sabiendo que ambas se desean; así y todo, no hay, aún, aproximación física. Pero a partir del primer beso, la cámara – o el director - rompe todo ritmo típico de cine francés y le da una crisis de cine yankee. De golpe, aparecen las dos desnudas en un ambiente que no sabemos dónde es y sin ningún preliminar, o sea, derecho viejo. Ese será uno de los tres “grandes” momentos eróticos del film. Sobre los que muchas personas están debatiendo sobre su clasificación. A mí no me parecieron imágenes pornográficas. Simplemente, son las fantasías de un hombre heterosexual, jugando al kamasutra lesbiano; o bien, imaginando lo que dos jóvenes hacen en la cama, y fuera de ella. Con mucha pasión.

En seguida llegan las presentaciones a las respectivas familias, dejando nítido que Emma tiene muy bien resuelta su sexualidad y en su casa no hay ningún problema. Mientras que Adèle aparece un poco como quien profesa el viejo “de eso no se habla”. Aunque lo padezca. Al comienzo de la relación, con las mismas controladoras sociales de la escuela, una vez que Emma fue a esperarla a la salida, le dijeron que andaba en compañía de marimachos y que ahora era una chupa-concha. También, con las escusas que daba, más tarde, a su compañero de trabajo cuando él la invitaba, reiteradas veces, a salir después de la jornada.

En la versión libre del patriarca tunisino, ellas vvien juntas y reproducen todos los papeles del más convencional matrimonio heterosexual y monogámico. Ella, Adèle, es uma perfecta ama de casa; “él”, Emma, lee en la cama hasta que ella termina de lavar los platos. “Él” puede levantarse otras chicas, peros cuando ella es descubierta, acabará siendo tratada y llamada de puta (¡cuánta originalidad!), y siendo echada de la casa. Los diez mandamientos del patriarcado están, sin excepción, presentes a lo largo de los interminables 180 minutos.  Adèle se queda super mal. Por mucho tiempo la veremos con sus constantes lágrimas, que por veces se mesclan con sus mocos y el vino blanco que no deja de beber, generando una sensación de  tristeza. Ya no sabremos si por arruinar el flamante vino francés, si porque la película se alarga sin piedad, o... ah, sí porque nuestra protagonista está triste, pues el tunisino coloca a la bella dama en el lugar de quien todavía cree en el príncipe y/o la princesa azul. Pero Emma se tiñó nuevamente el cabello de otro color. La princesa azul se fue por la cloaca. Sólo restaron desventuras y tiempo y más tiempo para decir lo mismo, o sea, que aquel vacío no es existencial es, simplemente, que ¡¡está faltando una buena tijera, una edición al film, un guión!! Y también, un poco de respeto a la lectura original que la escritora Julie Maroh, a la que él no le responde correos desde el 2011, había hecho.


terça-feira, 2 de julho de 2013

em Maringá / PR

18/07/2013 

FESTIVAL DE CINEMA E ARTE FEMINISTA
AUDITÓRIO DA PEDAGOGIA
BLOCO H-12
Paulo Freire 

Coletivo Maria Lacerda & Gepecos

Convidam para:

Oficina Anarka-Feminista de Literatura, Stencil e Artvismo

14h-18h - Marian Pessah (Brasil-Argentina) 
Fotógrafa & escritora
Integrante do Grupo Mulheres Rebeldes

19h-22h - Elisa Riemer &
Lua'na Mendes &
Nicole Nicoli Carmona

domingo, 23 de junho de 2013

A passagem, uma ponte ao que virá.


primero en lengua brasileira
marian pessah - artivista


As ruas não estão propondo um Fora Dilma. Calma minha gente, muita calma nessa hora. Essa não é a proposta que percebo nas manifestações que venho participando em Porto Alegre e seguindo pelo Facebook em todo o país. A sensação é de um grande BASTA. De muito cansaço, de ter de suportar ou se submeter a  tudo. Eu não vi um só cartaz nas ruas de Fora Dilma, nem propondo acabar com a bolsa família, nem contra a política de cotas nas Universidades Públicas. Isso já nos dá uma base para pensar. O que as ruas estão exigindo é um transporte público de qualidade de acordo com as possibilidades e necessidades da população. É contraditório imaginar que uma família que vive da bolsa possa viajar num ônibus de R$ 3,00.

Também se está reclamando por saúde: mais leitos nos hospitais, melhor atendimento; assim como por educação. Que bom que as pessoas se cansem de achar normal que só 10% dxs candidatxs  às Universidades Públicas tenham lugar no Templo do Saber. Finalmente se luta pelo fim de uma “elite culta”. Estão trazendo médicxs de Cuba porque aqui não há, ou porque os salários não respondem às expectativas da elite da elite? (Cá, entre nós, vamos combinar que no Brasil, quem chega a doutor, tem de ter muitos meios econômicos para poder estar lá).  Aumentar o número de vagas nas Universidades, não se cogita? Duplicar, triplicar o ingresso seria a coisa mais lógica de se pensar, assim como melhorar o ensino básico e médio e aumentar os salários das professoras.  Por isso há tanto descontento com a Copa do Mundo, sim, aqui, no Brasil, país do futebol! Olha a emoção! Olha a mudança! O povo cansou de ver passar tanto dinheiro tão mal distribuído. Acabou a época do “pão e circo”; hoje Roma ficou na história. Olha como também se fala bem do Brasil, pois as críticas não são por pão. Há um reconhecimento implícito de que há trabalho e bolsa família, mas se reclama sim por qualidade de vida, pelo fim da hipocrisia, a gente não quer só comida.

A questão é que para que a presidenta Dilma, hoje, esteja no trono, foram feitas muitas alianças. É por isso que o Brasil tem como presidente da Comissão Nacional dos Direitos inHumanos, o Marcos inFeliciano, um evangélico furiosamente fanático. Num país laico?! Nesse contexto se vota pela chamada cura gay e a Comissão de Finanças aprova o Estatuto do Nascituro que põe fim a lutas estruturais do Movimento Feminista como é o caso de aborto legal, seguro e gratuito em casos de estupro. A partir de que ele seja implantado, não só estará proibido o aborto, mas passará a ser considerado crime. Contudo, à mulher lhe será “oferecida” uma ajuda econômica, mais conhecida como bolsa estupro até que o filho, ou filha, complete 18 anos. E O BRASIL, TEM DINHEIRO PARA INVESTIR EM ESTUPROS? NA MANUTENÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES, E NÂO EM EDUCAÇÃO E SAUDE? E os investimentos e financiamentos no agronegócio e nas mineradoras que o governo vem estimulando desde o primeiro governo Lula? Revolução agrária, destruição ambiental e perseguição aos povos originários não foram sequer mencionados no pronunciamento da presidenta. Nem por isso as massas querem sua saída, queremos sim que mais envolvidos nesses processos saiam às ruas e que acabem os acordos de gabinete.

Por isso vamos às ruas. Porque estamos fartxs de tantas injustiças, de que decidam por nós; de ver tantas incongruências! Vamos às ruas porque precisamos nos encontrar e conversar, entender e gritar, defender nossos sonhos. Vamos às ruas para lutar pelo que acreditamos! Infelizmente está havendo muitos infiltrados. A gente não vai às manifestações de martelo e machado, cuidado! Esses não somos nós. Por que não se fala seriamente de quem são eles? Dias atrás passou no jornal um policial quebrando o vidro do próprio carro da polícia. Vamos deter o filme por um momento e ficarmos com essa imagem. Por que razão não se falou horas sobre esse fato e sim há tanta insistência em continuar mostrando o que essas pessoas infiltradas continuam destruindo? Estamos vivendo um belo momento anárkico. Que emoção! Não temos representantes. A maior prova disso foi na última manifestação em Porto Alegre, quando a marcha se separou em três partes, não houve consenso do trajeto. Isso demonstra como a situação é plural, não há alianças, nem negociações; há diversidade! Mas, no final, as três partes nos reencontramos na avenida João Pessoa. Pode haver discordâncias conjunturais, mas o foco do descontento é o mesmo e estamos juntxs na luta.

Tudo começou pelo preço da passagem. Agora o que ficou foi a PASSAGEM como metáfora entre duas realidades. Vamos unir os sonhos com a realidade. O Brasil somos nós. Estamos fazendo caminho, hoje somos o sujeito da história. Na quinta-feira 20 de junho houve um milhão de pessoas nas ruas do Brasil!!!  Ir às manifestações e vivenciar no corpo a sensação de que podemos, isso, já está mudando as pessoas. E isso gera muito medo em outras. Ontem já não é hoje. Então, não queremos Fora Dilma, não queremos um golpe, calma minha gente que assiste as manifestações por TV, o que queremos é demonstrar que estamos vivxs e em desacordo com as alianças. Queremos mudar esta realidade, e temos FORÇA para isso.


domingo 23 de junho




El pasaje, un puente a lo que vendrá.

marian pessah – artivista
fotos 
 
La gente en las calles no está proponiendo un “Fuera Dilma”, un “que se vayan todxs”. Calma gente, mucha calma en esta hora. Esta no es la propuesta que percibo en las manifestaciones que vengo participando en Porto Alegre y siguiendo por Facebook en todo el país. La sensación es de un gran BASTA. De mucho cansancio, de tener que soportar y someterse a  todo. Yo no vi un sólo cartel en las calles de Fuera Dilma, ni proponiendo acabar con la bolsa familia, ni contra la política de cuotas en las Universidades Públicas. Esto ya nos da una base para pensar. Lo que se reclama en las calles  es transporte público y de calidad, de acuerdo con las posibilidades y necesidades del pueblo. Es contradictorio imaginar que una familia que vive de la bolsa pueda viajar en un colectivo de R$ 3,00 (U$S 1,4).

También se está reclamando por salud: más camas en los hospitales, mejor atendimiento; así como por educación. Qué bueno que las personas se cansen de ver como normal que sólo el 10% de lxs candidatxs a las Universidades Públicas tengan su lugar en el Templo del Saber. Finalmente se lucha por el fin de una “elite culta”. ¿Están trayendo médicxs de Cuba porque aquí no hay, o porque los sueldos no corresponden a las expectativas de la elite de la elite?[i]  Aumentar el número de vacantes en las Universidades, ¿no se tiene en cuenta? Duplicar, triplicar el ingreso sería la cosa más lógica de pensar, así como mejorar los colegios primario y secundario, aumentar los salarios de las profesoras.  Por eso hay tanto descontento con la Copa del Mundo, sí, aquí, en Brasil, ¡país de futbol! ¡Mirá qué emoción!, !Fijate qué cambio! El pueblo se cansó de ver pasar tanto dinero tan mal distribuido. Acabó la época del “pan y circo”; hoy Roma se quedó en la historia. Fijate cómo también se habla bien de Brasil, pues los pedidos no son por pan. Hay un reconocimiento implícito de que hay trabajo y la bolsa familia, pero se reclama por calidad de vida, por el fin de la hipocresía, a gente não quer só comida.

El gran nudo es que para que la presidenta Dilma, hoy, esté en el trono, fueron realizadas muchas alianzas. Es por eso que Brasil tiene como presidente de la Comisión Nacional de Derechos inHumanos, a Marcos inFeliciano, un evangélico furiosamente fanático. ¿En un país laico?! En este contexto se vota por la llamada cura gay y la Comisión  de Finanzas aprueba el Estatuto do Nascituro que pone fin a luchas estructurales del Movimiento Feminista como es el caso del aborto legal, seguro y gratuito en casos de violación. A partir del momento en que sea implementado, no sólo estará prohibido el aborto, también pasará a ser considerado crimen. Eso sí, a las mujeres violadas les darán su premio consuelo, si son pobres y el “padre”, sí, el violador leíste bien,  no quiere asumir al/a “hijo/a”, les será “ofrecida” una ayuda económica, más conocida como bolsa estupro, beca violación, hasta que el hijo, o la hija  complete los 18 años. ¿Y BRASIL TIENE DINERO PARA INVERTIR EN VIOLACIONES? EN LA MANUTENCIÓN DE LA VIOLENCIA CONTRA LAS MUJERES Y NO EN EDUCACIÓN NI EN SALUD? Las inversiones en financiamientos del agronegocio y las minerías que el gobierno viene estimulando desde el primer mandato de Lula, ¿para eso también hay? Revolución agraria, destrucción ambiental y persecución  a los pueblos originarios no fueron siquiera mencionadas en el discurso de la presidenta del viernes a la noche. Pero insisto, no pedimos su salida, queremos que más gente sea consciente y se envuelva en este proceso y que también salga a las calles y acaben los acuerdos de gabinete.

Por eso tomamos las calles. Porque estamos hartxs de tantas injusticias, de que decidan por nosotrxs; ¡de ver tantas incongruencias! Vamos a las calles porque precisamos encontrarnos y conversar, entender y gritar, defender nuestros sueños. ¡Vamos a las calles para luchar por lo que creemos! Lamentablemente está habiendo muchos infiltrados. Nosotrxs no vamos a las manifestaciones con martillos y hachas, ¡cuidado! Esos no somos nosotrxs. ¿Por qué no se habla seriamente de quiénes son ellos? ¡Días atrás fue mostrado en el noticiero un policía quebrando el vidrio de un patrullero! Paremos la película un momento  y detengámonos en esta imagen. ¿Por qué razón no se habló horas sobre este acto y, en cambio, se insiste en continuar mostrando lo que esas personas infiltradas continúan destruyendo? Estamos viviendo un bello momento anárkico. ¡Qué emoción! No tenemos representantes. La mayor prueba de esto fue en la última manifestación en Porto Alegre, cuando la marcha se separó en tres partes, no hubo consenso del trayecto. Esto demuestra cómo la situación es plural, no hay alianzas, ni negociaciones; hay diversidad. Pero al final las tres partes nos reencontramos en la avenida João Pessoa. Puede haber desacuerdos coyunturales, pero el foco del descontento es el mismo y estamos juntxs en la lucha.

Todo comenzó con el precio del pasaje. Ahora lo que quedó es el PASAJE como metáfora entre dos realidades. Vamos a unir los sueños con la realidad. Brasil somos nosotrxs. Estamos haciendo camino al andar, hoy somos el sujeto de la historia. El jueves 20 de junio fuimos un millón de personas en las calles de todo Brasil!!!  Ir a las manifestaciones y vivenciar en el cuerpo la sensación de que podemos, eso, ya está cambiando a las personas y también genera mucho miedo en otras. Ayer ya no es hoy. Entonces, no queremos Fuera Dilma, no queremos un golpe de Estado, calma gente que asiste a las  manifestaciones por la TV, lo que queremos es demostrar que estamos vivxs y en desacuerdo con las alianzas. Queremos cambiar esta realidad, y tenemos la FUERZA para eso.
Porto Alegre, domingo 23 de junio











[i] Brasil sigue pasando por el momento de “mi hijo el doctor”, el 57% de lxs estudiantes quiere seguir medicina, que  con vagas tan limitadas, el ingreso es muy difícil, lo que implica a veces en años de intentarlo pagando cursos caros y muy caros de preparación.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Brasil decide investir em estupros


Semana passada a Comissão de Finanças aprovou um substitutivo ao projeto que cria o Estatuto do Nascituro. Ele prevê o direito ao pagamento de pensão pelo Estado às crianças concebidas através de estupro no caso do “pai” – o estuprador – não poder arcar com isso ou não for identificado. Pensão de estuprador, bolsa estupro: um projeto insalubre.

Com essa nova lei, cada mulher estuprada, e que ficar grávida, para que não aborte o Estado lhe pagará o equivalente a um salário mínimo até que a criança complete 18 anos. Também está prevista a possibilidade de que o estuprador reconheça a criança e seja ele o feliz papai quem banque a mesada dx filhx. E as mulheres? Alguém pensa em nós? E nas crianças mal-concebidas como consequência de uma violação? Não, não estás lendo a trama de um filme de terror de próxima estreia; é mais um fruto divino que está tentando amadurecer dos evangélicos.

Escolher pagar bolsa estupro às mulheres em lugar de investir em educação sexual para acabar com as violações, é uma opção ideológica. Vocês são conscientes que se está optando por uma sociedade de mulheres abusadas e crianças não desejadas? Isso é um terrível retrocesso na luta do Movimento Feminista! O Brasil era um dos poucos países do mundo, em que uma mulher estuprada não necessitava demonstrá-lo, sua palavra era suficiente para poder abortar legalmente. Em lugar de pensar na dor que um estupro ocasiona, o que se quer é que nós, mulheres, fiquemos presas à vida toda a esse terrível momento! Uma volta a Idade Média!

O incompreensível, se é que é possível tentar entender esse HORROR, é que a mesma Comissão de Finanças diga que não há dinheiro para educação deixando as professoras com um salário insignificante que está perto dos R$ 1.200,00, porém, para dar via livre ao estupro, sim há dinheiro???? Façamos números. Brasil, que acaba de ganhar o 7º lugar do ranking mundial em violência contra as mulheres, tem um estupro a cada 10 minutos.  Isso significa 144 estupros diários, vezes 365 dão 52.560 estupros por ano. Se pensarmos “positivamente”, no caso de que só duas mulheres ficassem grávidas por dia, isso dá 730 salários mínimos a pagar durante 18 anos. Um cálculo estimado em R$ 88.300.800,00. Essa conta aproximada seria só o primeiro ano, porque no segundo se somarão as novas mulheres estupradas e assim no terceiro e no quarto e no quinto, até chegar a 18 anos em que se “nivelaria”. Alguém pensou na soma, para mim abstrata, de quanto dinheiro significa esse horror? Em lugar de investir em educação, indústrias, melhorar estradas, o Brasil opta por investir em estupros, em manutenção da violência!!

Convocatória. Para todas aquelas pessoas que estejam com a digna raiva, nos estaremos reunindo no Parque da Redenção, neste sábado 15, as 15 hs. Vamos com a indignação às ruas, essa não é a sociedade que nós desejamos.  Vamos defender os nossos sonhos de mulheres livres e autônomas!!
Nem um passo atrás! Dois a frente e punhos ao alto!


Brasil decide invertir en violaciones



La semana pasada, la Comisión de Finanzas de Brasil, aprobó un sustituto al proyecto que crea el Estatuto do Nascituro. Ese punto previene el derecho al pago de pensión por el Estado a las/los niñas/os concebidas/os a partir de una violación, caso el “padre” – el violador– no pueda asumir los gastos, o no fuera identificado. Pensión por abuso, beca violación: un proyecto insalubre.

Con esta nueva ley, cada mujer violada y que quede embarazada, para que no aborte el Estado le pagará el equivalente a un salario mínimo hasta que la/el hija/o complete los 18 años. También está prevista la posibilidad de que el violador reconozca la hija/o y sea el feliz papá quien banque los gastos. ¡¿Y las mujeres?!  ¿Alguien piensa en nosotras? ¿Y en las/os niñas/os mal-concebidas/os como consecuencia de una violación? No, no estás leyendo la trama de un film de terror de próximo estreno; es un nuevo fruto divino que está intentando madurar de los evangélicos.

Elegir pagar beca violación a las mujeres en lugar de invertir dinero en educación sexual para acabar con las violaciones, es una opción ideológica. ¿Ustedes son conscientes que se está optando por una sociedad de mujeres abusadas y crianzas no deseadas? ¡Eso es un terrible retroceso en la lucha del Movimiento Feminista! Brasil es uno de los pocos países del mundo en que una mujer violada no necesita demostrarlo, su sola palabra es suficiente para poder abortar legalmente en cualquier hospital público. En lugar de pensar en el dolor que un acto tan violento ocasiona, ¡lo que se quiere es que nosotras nos quedemos presas de por vida a este terrible momento! ¡Una vuelta a la Edad Media!

Lo incomprensible, si es que es posible intentar entender este HORROR, es que la misma Comisión de Finanzas diga que no hay dinero para educación dejando a las profesoras con un sueldo insignificante, próximo a los R$ 1.200,00 (U$S 600), no obstante, para dar vía librea las violaciones, sí, hay dinero???? Hagamos números. Brasil, que acaba de obtener el  7º lugar del ranking mundial en violencia contra las mujeres, tiene una violación a cada 10 minutos.  Esto significa 144 violaciones diarias, multiplicadas por 365 dan 52.560 violaciones al año. Si pensamos “positivamente”, en el caso de que solo dos mujeres quedaran embarazadas por día, serían necesarios 730 salarios mínimos a pagar durante 18 años. Un cálculo estimado en R$ 88.300.800,00 (U$S 44.150.400). Esta cuenta aproximada sería solo el primer año, porque al segundo se le sumarían nuevas mujeres violadas y así al tercero y al cuarto y al quinto, hasta llegar a los 18 años en que se “nivelaría”. ¿Alguien pensó en la suma, para mí abstracta, de cuánto dinero significa este HORROR? En lugar de invertir en educación, hospitales, industrias, mejorar carreteras; Brasil opta por invertir en violaciones, ¡¡en la manutención de la violencia!!
marian pessah (h)artivista